celebrities
tá legal. a porra da obra finalmente ficou pronta. muito depois do piso sem acabamento lateral, do ar-condicionado fora do lugar, da quebradeira, do pó de gesso atacando minha renite, dum pé com ligamento rompido [não o meu, pelo menos] e o cliente no meu pé me ligando [pasmem] à 1 da manhã, está tudo terminado. sei que vou sentir falta do corre corre, do sentimento de euforia do meu primeiro projeto tomando forma, das minhas primeiras cagadas. mas acabou. e quem glamouriza essa profissão não sabe o que é ficar batendo boca com o servente pra falar que a parede ta fora de prumo. ou mandar o pintor tirar o ‘acesso’ de tinta do rolo. ou pegar ônibus na chuva pra comprar luminária mais barata na yamamura. ou mesmo trabalhar com cliente perua que dá chilique toda hora.
porque trabalhar com celebridades realmente não tem nada de glamoroso. e eu peço encarecidamente que o primeiro joão-ninguém me apareça aqui na frente e me peça um projeto. anônimo. o lin*o villaventur*a vem e me chama de incompetente. logo ele, que não paga os fornecedores. e quando paga, os cheques voltam. o edso*n celular*i me acha um burro, porque eu não conseguia entender o porquê do colchão dele ter 1,89 x 2,09. [tamanho fora de padrão] o que me levou uma conversa de 16 minutos ao telefone para entender. a plasma da mila chirsti*e [não tenho a menor idéia de como o sobrenome dela é soletrado] não cabe no suporte que eu mandei fazer. porque o marceneiro é uma anta. e ela acredita nele. phodasse. agora o gug*u, que vem pra reunião ainda bêbado da noite anterior, não querer colocar piso de vidro argentato bronze no lavabo da casa dele no guarujá é demais.
espero que morram todos no mar de breguice que eles mesmos criaram. envoltos por colchas de matelasse e superfícies revestidas em fórmica branca.
todos.
Escrito por pôlo às 21h19
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